Quadros Basquetebol
Jogadores sentados no banco durante um desconto de tempo, vistos de costas
Táticas

Jogadas de reposição: laterais e de fundo que valem pontos

Abra o plano de treino desta semana. É muito provável que não haja lá uma única reposição de bola — e no domingo vão acontecer dezenas, sempre com o árbitro a contar cinco segundos em voz alta.

Abra o plano de treino desta semana. É muito provável que não haja lá uma única reposição de bola.

No domingo vão acontecer dezenas — depois de cada cesto sofrido, de cada bola ao ar, de cada falta na linha de fundo — sempre com o árbitro de braço no ar a contar cinco segundos. Uma equipa que não treina reposições não perde uma: perde-as todas ao mesmo tempo, e quase sempre no pior período do jogo.

Duas de fundo e uma de lateral chegam para a época

A tentação de ter uma jogada para cada situação é o erro clássico. Três jogadas sabidas de cor valem mais do que oito reconhecidas de vista, porque a reposição não se joga com tempo: joga-se com o repositor a olhar para dentro e a contagem já a meio.

Caixa: a de fundo para o jogo inteiro

Quatro jogadores em caixa — dois nos cotovelos da linha de lançamento livre, dois nos blocos baixos — e o repositor com a bola debaixo do cesto. À palmada, o jogador do bloco do lado da bola sobe a bloquear para o do cotovelo contrário, que corta a direito ao cesto pelo meio do garrafão. É a primeira opção e é a que marca pontos, porque obriga a defesa a decidir em movimento e dentro de um espaço curto.

Se o corte não sair, o bloqueador abre para o canto do lado da bola — segunda opção, lançamento com pés parados. O quarto jogador sobe à linha de três frontal como saída de segurança, e o repositor tem sempre para onde jogar sem inventar.

Fila: a de fundo para os últimos segundos

Os quatro em coluna sobre a linha de lançamento livre, virados para a bola. À contagem, o primeiro sai para o canto, o segundo corta ao cesto, o terceiro bloqueia o quarto que aparece à frente, na linha de três. Quatro ações em sequência a partir do mesmo sítio: a defesa não consegue tapar as quatro, e a equipa não precisa de saber qual delas vai ficar livre — precisa de saber a ordem.

Uma jogada não é um desenho: é uma sequência que cinco jogadores reconhecem em meio segundo, com o árbitro a contar em voz alta.

Curto e comprido: a lateral de meio-campo

A reposição lateral no meio-campo ofensivo resolve-se com duas opções em simultâneo e não com uma jogada elaborada. Um jogador vem à bola em direção ao repositor (curto) enquanto outro parte às costas do seu defensor em direção ao cesto (comprido). Se a defesa nega o curto, abre o comprido. Se protege o cesto, o curto está livre.

Com o relógio quase esgotado, a mesma formação serve para o último lançamento: o comprido passa a ser um corte ao cesto e o curto recebe já orientado, sem drible de ajuste.

A reposição defensiva é a que se perde

A que mais custa não é nenhuma das anteriores: é sair de baixo do próprio cesto contra pressão, depois de sofrer um cesto. Duas regras resolvem a maioria dos casos. O repositor pode e deve correr a linha de fundo, e ninguém dribla contra dois defesas — quem recebe procura logo o passe seguinte, para a frente ou para o meio.

JogadaQuandoPrimeira opçãoSaída de segurança
CaixaReposição de fundo em jogo corridoCorte ao cesto do cotovelo contrárioQuarto jogador na linha de três frontal
FilaFundo com poucos segundos ou após desconto de tempoCorte ao cesto do segundo da colunaCanto do lado da bola
Curto e compridoLateral no meio-campo ofensivoCorte comprido às costas do defensorRecetor curto junto ao repositor
Saída pressionadaReposição defensiva após cesto sofridoRepositor corre a linha de fundoPasse ao meio-campo, nunca drible contra dois

Os três erros que dão a bola ao adversário

  • Toda a gente a olhar para a bola — se os cinco olham para o repositor, os cinco defesas também olham. Alguém tem de estar de costas a preparar a segunda ação.
  • Nenhuma saída de segurança — uma jogada sem plano B são cinco segundos e uma bola perdida em zona perigosa.
  • Seis jogadas mal sabidas — o repositor hesita, a contagem chega ao três e o pedido de desconto de tempo faz-se por pânico e não por estratégia.

O que treinar em cada escalão

EscalãoO que se treina
MinisNenhuma jogada. Repor depressa e para quem está livre, com o repositor a saber que pode andar na linha de fundo
Sub-14Uma de fundo e uma de lateral, sempre as mesmas, sempre com saída de segurança
Sub-16As duas anteriores mais uma para os últimos segundos; introduz-se a saída pressionada
Sub-18Variantes a partir da mesma formação: a mesma caixa com três finais diferentes conforme a defesa

🔑 Treinam-se dois minutos por sessão, não vinte de vez em vez. Dois minutos no fim de cada treino, com defesa a sério e com o árbitro a contar em voz alta, valem mais do que uma sessão inteira em novembro que ninguém recorda em fevereiro.

Os quarenta segundos do desconto de tempo

O momento em que estas jogadas se decidem não é o treino: é o intervalo de trinta segundos em que cinco jogadores cansados têm de reconhecer qual delas vem aí. Desenhe a jogada no quadro tático antes de eles chegarem ao banco, com os números reais em vez de círculos anónimos, e mostre-a durante quatro segundos sem dizer nada. Só depois fale, e apenas para nomear a primeira opção e a saída de segurança.

Repor a bola bem depende de espaçar bem, e o princípio está tratado nos três princípios táticos que decidem jogos. Sobre quanto cabe num desenho e o que nunca deve lá ir, há uma guia dedicada ao quadro tático.

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