
Exercícios de basquetebol: cinco que sustentam qualquer treino
Há treinadores com duzentas fichas guardadas no telemóvel e há equipas que jogam bem. Poucas vezes é o mesmo treinador. O que separa um exercício útil de um exercício bonito é uma coisa só.
Há treinadores com duzentas fichas de exercícios guardadas no telemóvel. Há equipas que jogam bem. Poucas vezes é o mesmo treinador.
A diferença raramente está no exercício escolhido. Está em saber, antes de o começar, o que se vai exigir e o que se vai deixar passar hoje. Um exercício sem critério de execução é tempo de pavilhão gasto com ar de treino.
O critério vem antes do exercício
Critério de execução é a única coisa observável que se exige naquele bloco: uma coisa que qualquer pessoa sentada na bancada consegue ver e dizer se aconteceu ou não. Não é «jogar melhor», não é «mais intensidade». É «o passe sai antes de o defensor fixar os apoios» ou «ninguém apanha o ressalto sem contactar primeiro».
Se não consegue dizer em voz alta o que vai corrigir neste exercício, ainda não tem um exercício: tem uma ocupação.
⚠️ Um critério de cada vez. Dois critérios em simultâneo são zero critérios: o grupo escolhe o mais fácil e ignora o outro, e o treinador acaba a corrigir tudo, que é a mesma coisa que não corrigir nada.
Cinco exercícios e o que se exige em cada um
| Exercício | Como se faz | O que se exige |
|---|---|---|
| 3 contra 2 em transição | Três atacantes saem do ressalto defensivo contra dois defesas já colocados; roda-se por trios sem parar | A decisão — passe ou lançamento — sai antes da linha de lançamento livre |
| Passe e corte contínuo | Quatro jogadores no perímetro de meio-campo, drible proibido; quem passa corta ao cesto e recebe se estiver livre | O corte é ao cesto, não para o lado, e com mudança de velocidade |
| 1 contra 1 de receção | O atacante recebe fora da linha de três pontos com o defensor a um braço de distância | O primeiro apoio já orientado ao cesto: decide antes de driblar |
| Bloqueio de saída 2 contra 2 | O treinador lança ao aro; ninguém pode ir à bola sem contactar antes o seu adversário direto | Contacto antes de a bola tocar no aro; a bola apanha-se em cima, não no chão |
| Lançamento com defesa a fechar | Passador fixo, dois lançadores, um defensor que sai sempre atrasado de um cone | Pés e ombros ao cesto antes de a bola chegar à mão |
🔑 Se só puder ficar com um, fique com o 3 contra 2. Obriga a decidir em movimento, com vantagem numérica e sem tempo para pensar duas vezes — que é exatamente o que o jogo pede e o que menos se treina.
Três exercícios por sessão, não doze
A tentação é oferecer variedade. O efeito é conhecido: a equipa aprende a começar exercícios e nunca chega a dominar nenhum. Um exercício precisa de quatro a seis semanas no mesmo lugar do treino para que o critério passe de ordem do treinador a hábito do jogador.
Aumenta-se a dificuldade sem trocar o exercício: primeiro sem oposição, depois com oposição condicionada, depois com marcador e consequência. É o mesmo desenho três semanas seguidas, e é aí que se vê a diferença.
Quanto dura cada bloco, por escalão
| Escalão | Duração por exercício | Como se organiza |
|---|---|---|
| Minis | 5 a 6 minutos | Tudo com bola, grupos de quatro no máximo, nenhuma fila com mais de três à espera |
| Sub-14 | 8 minutos | Dois grupos em simultâneo; os jogadores já dizem em voz alta qual é o critério antes de começar |
| Sub-16 | 10 a 12 minutos | Oposição real desde o primeiro minuto, sem fase de aquecimento dentro do exercício |
| Sub-18 | 12 a 15 minutos | Com marcador e consequência; o bloco só termina quando o critério aparece três vezes seguidas |
Nos Minis o exercício vale pelo número de vezes que cada criança toca na bola. A partir de Sub-16 vale pelo número de decisões corretas sob pressão. É a mesma sessão a mudar de moeda.
Os três erros que estragam bons exercícios
- A fila — seis jogadores à espera são seis jogadores a arrefecer. Dois grupos pequenos valem mais do que um exercício perfeito com meia equipa parada.
- Corrigir tudo — quando se aponta o quinto pormenor, o jogador já não sabe qual é o primeiro. Corrija o critério e deixe o resto para outro dia.
- Mudar de exercício quando o erro aparece — o erro é o exercício a funcionar. É nesse momento que o bloco começa a ensinar alguma coisa, e é nesse momento que muita gente decide passar ao seguinte.
Manter o critério à vista
O critério esquece-se em dois minutos — pelos jogadores e pelo treinador. Escreva-o no quadro tático antes de a equipa entrar, com o desenho do exercício por baixo, e deixe o quadro apoiado de frente para o campo. Durante os oito minutos seguintes, em vez de repetir a mesma frase, aponte para ele. O grupo olha, percebe e continua a jogar.
Funciona porque tira palavras ao treino em vez de acrescentar. Os primeiros minutos da sessão pedem outra abordagem — os jogos que aquecem a equipa a sério estão no artigo do aquecimento, e o método completo para desenhar sem falar demais está na guia do quadro tático.
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