
Aquecimento no basquetebol: quatro jogos que aquecem a sério
«Duas voltas ao campo e alongamentos.» É a frase mais repetida dos pavilhões portugueses às sete da tarde, e gasta os únicos minutos em que toda a gente está fresca e a ouvir.
«Duas voltas ao campo e alongamentos.»
É o que se ouve às sete da tarde em metade dos pavilhões, e gasta os únicos dez minutos da sessão em que toda a gente está fresca, ninguém perdeu ainda nenhuma bola e a atenção está no máximo. O aquecimento não é o preço a pagar antes de treinar: é a primeira coisa que treina.
Três coisas ao mesmo tempo, não uma de cada vez
Um aquecimento tem de subir a temperatura, pôr a bola nas mãos e ligar a cabeça. As duas primeiras conseguem-se com qualquer corrida com bola. A terceira é a que distingue um aquecimento de uma corrida, e obtém-se de uma única maneira: obrigando a escolher.
Se ao minuto oito ninguém teve ainda de escolher entre duas opções, não aqueceu a equipa: pô-la a suar.
⚠️ Cuidado com o outro extremo. No aquecimento decide-se depressa e erra-se sem consequência: nada de correções técnicas longas nem de paragens para explicar. A exigência fina fica para o bloco seguinte — está tratada nos exercícios que sustentam qualquer treino.
Quatro jogos
| Jogo | Como se faz | O que aquece |
|---|---|---|
| Rei do drible | Todos com bola dentro do garrafão alargado; tirar a bola aos outros sem perder a sua. Quem perde faz três lançamentos e volta a entrar | Drible de cabeça levantada, proteção da bola, pés |
| Cinco passes | 4 contra 4 em meio-campo, drible proibido; cinco passes seguidos valem um ponto | Desmarcação, leitura do defensor, pulsações |
| Ida e volta cronometrada | Contra-ataque em três corredores sem defesa; o grupo tem de fechar oito idas em dois minutos | Corrida em largura, passe em movimento, ritmo de jogo |
| Ressalta e ataca | O treinador lança ao aro; quem apanha o ressalto ataca, os outros defendem até ao cesto ou à recuperação | Contacto, reação, competição |
🔑 Cinco passes é o que fica se só houver tempo para um. Ao proibir o drible obriga toda a gente a mover-se sem bola, e em quatro minutos mete lá dentro corrida, defesa e olhar levantado.
A ordem em que se colocam
Começa-se sempre por um jogo em que não se perde nada: o rei do drible ou os cinco passes. A competição a sério — ressalta e ataca — vai no fim, com os corpos já prontos e o contacto a fazer menos estragos. Abrir a sessão com disputa de ressalto é ter a primeira queda ao minuto dois, com os tornozelos frios.
E os alongamentos?
Parado, com o músculo frio, antes de correr: não. É o pior momento possível e não prepara para nada do que vai acontecer na hora seguinte. A mobilidade em movimento — passadas largas, aberturas de anca, calcanhares aos glúteos enquanto se caminha para a linha de fundo — entra dentro do primeiro jogo, não antes dele. O alongamento longo, se o quiser manter, faz-se no fim do treino ou em casa.
O aquecimento de dia de jogo é outra coisa
Ao domingo não se trata de ensinar nada: trata-se de chegar ao apito com o corpo pronto e a cabeça no plano. Vinte minutos chegam, e valem mais se forem sempre os mesmos vinte, jornada após jornada — a rotina é metade do efeito.
- Primeiros oito minutos — mobilidade em movimento e bola nas mãos, sem cesto: passe em deslocação, drible em travagem, aquecimento articular a andar.
- Dez minutos seguintes — lançamento a partir dos sítios de onde a equipa vai lançar naquele jogo, e não de onde é confortável lançar.
- Dois minutos finais — uma sequência defensiva à intensidade do jogo e o cinco inicial já reunido, antes de qualquer palavra.
Minutos por escalão
| Escalão | Duração | Como se monta |
|---|---|---|
| Minis | 12 a 15 minutos | Jogo puro, sempre com bola; nenhuma explicação para além das regras do jogo |
| Sub-14 | 12 minutos | Dois jogos, um de técnica e um competitivo; já se pode pedir pontuação |
| Sub-16 | 10 minutos | Três jogos curtos com troca rápida; a mobilidade entra dentro do primeiro |
| Sub-18 | 8 a 10 minutos | Mais curto e mais intenso, com contacto legal já a partir do segundo jogo |
Nos Minis o aquecimento pode perfeitamente ser o melhor momento do treino. Em Sub-18 não: ali interessa que ao minuto nove a equipa esteja pronta a jogar ao ritmo do jogo, não que se tenha divertido.
Como saber se resultou
- A respiração — no fim fala-se por frases curtas. Se a conversa é normal, a intensidade não esteve lá.
- O primeiro bloco da sessão — se arranca sem ser preciso chamar a atenção de ninguém, o aquecimento também fez o trabalho mental.
- As mãos — quem tocou na bola de dez em dez segundos chega pronto; quem esteve numa fila, não.
Os vinte minutos em que o treinador está noutro sítio
No dia de jogo, o aquecimento acontece precisamente quando o treinador tem de estar na mesa a entregar o boletim, a falar com os árbitros ou a resolver a falta de um jogador. Deixar isso ao acaso é perder a melhor rotina da semana.
Escreva a sequência no quadro tático antes de sair do balneário — os três blocos, os minutos de cada um e quem conduz cada exercício — e entregue-o ao capitão. A equipa sabe o que vem a seguir sem procurar ninguém com os olhos, e o treinador reaparece aos dois minutos finais para a única coisa que tem mesmo de dizer. As convenções para desenhar isto de forma legível estão na guia de utilização do quadro.
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